Como plantar astromélias e cuidar das flores

Como plantar astromélias e cuidar das flores

A astromélia é a flor que todo mundo já levou para casa sem saber o nome: aquele buquê durável de trombetas pintadas e salpicadas, em cores que vão do amarelo ao vinho, que resiste semanas no vaso. Fora do vaso de corte, ela é uma planta de jardim generosa e pouco conhecida, e aprender como plantar astromelias é descobrir uma perene de touceira que floresce fartamente por anos, com um hábito de crescimento peculiar que muda o jeito de colher e de cuidar.

Conhecendo a astromélia

A astromélia (Alstroemeria), também chamada de lírio-dos-incas ou lírio-peruano, é uma herbácea perene sul-americana que cresce em touceira a partir de raízes tuberosas, formando um emaranhado de hastes finas de meio metro a um metro, coroadas por cachos de flores em trombeta com estrias e pintas características. Não é lírio de verdade, apesar dos apelidos, e não compartilha a toxicidade grave dos lírios para gatos, o que a torna bem mais tranquila em casa.

A planta floresce em ondas na estação quente e, em clima ameno, quase o ano todo, com a vantagem de ser uma das flores de corte mais duradouras que existem.

O plantio, passo a passo

A astromélia se planta por divisão de touceira ou por rizomas tuberosos, mais que por semente (que é lenta e imprevisível). A muda de viveiro é o caminho mais fácil.

1. Escolha sol pleno a meia-sombra clara. Ela quer luz farta para florir, mas agradece proteção do sol escaldante da tarde em regiões muito quentes, que abrevia as flores.

2. Prepare solo rico e muito bem drenado. As raízes tuberosas são o ponto sensível: guardam reserva e apodrecem em solo encharcado. Cova ou canteiro com composto e drenagem reforçada, no preparo do guia de terra, e canteiro elevado onde a água empoça.

3. Plante os rizomas na horizontal, rasos, a uns 10 a 15 centímetros de profundidade, com cuidado redobrado, porque são frágeis e quebram fácil. Espace 30 a 40 centímetros: a touceira se alastra.

4. Regue com regularidade sem encharcar no estabelecimento; depois, rega moderada, com atenção especial no período de floração e recuo na dormência.

Em vaso, funciona em recipientes largos e fundos (as raízes se espalham na horizontal), com substrato drenante e as variedades anãs, mais adequadas ao confinamento que as altas.

O hábito peculiar: por que se puxa, não se corta

Aqui está o detalhe que surpreende todo mundo e muda o manejo. A astromélia tem uma manha de crescimento única: cortar as hastes rente, como se faz com a maioria das flores, sinaliza à planta que aquele caule terminou, e ela reduz o estímulo para produzir novos dali. O resultado da poda convencional é uma touceira que floresce cada vez menos, o roteiro clássico de quem trata a astromélia como uma flor comum de corte.

O jeito certo, tanto para colher quanto para limpar, é puxar a haste inteira pela base, com um puxão firme que a solta do rizoma, em vez de cortá-la com tesoura. O puxão estimula a touceira a emitir hastes novas com vigor, e é o segredo, conhecido dos produtores de flor de corte, para uma astromélia que floresce sem parar. Parece contraintuitivo, quase violento, e é exatamente o oposto do que o instinto de jardineiro manda: nesta planta, arrancar a haste é o que produz mais flor.

Fora isso, a manutenção é simples: remoção das hastes velhas e das flores gastas (sempre pelo puxão), adubação rica em fósforo na estação de floração, na dose do guia de adubação, e divisão da touceira a cada dois ou três anos, na dormência, para renovar o vigor e multiplicar os canteiros, no processo do guia de mudas.

A flor de corte campeã de durabilidade

Se a intenção é o vaso da sala, a astromélia é imbatível: as hastes puxadas no ponto (com metade das flores do cacho abertas), postas em água limpa, duram de duas a três semanas, mais que quase qualquer flor de jardim. Troque a água a cada poucos dias e retire as florzinhas que murcharem para as demais do cacho seguirem abrindo. É a planta que transforma o jardim num fornecimento contínuo de buquês caseiros.

Problemas comuns

Touceira que floresce cada vez menos: o corte no lugar do puxão, na imensa maioria dos casos; mude o método e a planta responde.

Raízes apodrecendo, planta murcha: drenagem ruim, o calcanhar da espécie; canteiro elevado e solo drenante previnem.

Folhagem exuberante, poucas flores: excesso de nitrogênio ou sombra demais; ajuste adubo e posição.

Touceira parando na dormência: normal em climas com inverno marcado; reduza a rega e aguarde a rebrota, sem decretar morte de uma perene viva.

Pulgões e ácaros nas hastes tenras: visitas comuns; calda de sabão e o protocolo dos guias de pragas.

Perguntas frequentes

Astromélia é tóxica para pets?
Diferente dos lírios verdadeiros, a astromélia é de toxicidade baixa: a seiva pode irritar a pele de quem a manuseia muito (um cuidado conhecido de floristas), e a ingestão causa desconforto digestivo leve em pets. É convivência tranquila, sem o alerta grave que os lírios de verdade exigem em casa com gato.

Astromélia dá para cultivar o ano todo?
Em clima ameno e sem geada, ela floresce quase continuamente; em regiões de inverno frio, entra em dormência e rebrota na primavera; em calor tropical intenso, agradece a meia-sombra da tarde para esticar as floradas. É perene adaptável, com ritmo ditado pelo clima local.

Posso plantar a astromélia que veio no buquê?
As hastes de corte não enraízam (não têm raiz nem gema de base), então o buquê não vira muda. Para cultivar, o caminho é a muda de viveiro ou os rizomas; o buquê, aproveite pela durabilidade recorde que é a fama da flor.

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