Tela de sombreamento é daquelas soluções que resolvem um problema inteiro por um preço pequeno, e é justamente por isso que tanta gente compra a errada. O sombrite vem em porcentagens diferentes, de 30% a 90%, e escolher pelo que estava na prateleira em vez de escolher pela planta é o caminho mais curto para uma muda estiolada ou uma folhagem queimada. Este guia explica o que a porcentagem significa de verdade e qual usar em cada situação.
O que a porcentagem quer dizer
Um sombrite de 50% bloqueia aproximadamente metade da radiação solar que chega até ele. O de 80% bloqueia oitenta por cento e deixa passar vinte. Simples assim, e é aí que mora a confusão mais comum: muita gente lê 80% como “80% de luz”, quando é o contrário.
Existe outra leitura útil. A tela não só reduz a intensidade, ela também espalha a luz. A radiação que atravessa a malha chega mais difusa, o que reduz o contraste entre sol pleno e sombra dura e diminui a chance de queimadura pontual na folha. Ela ainda derruba um pouco a temperatura embaixo dela e freia o vento, dois efeitos que quem cultiva em laje ou terraço sente na primeira semana.
A tabela prática, por tipo de planta
30% a 35%. Sombreamento leve, para plantas de sol pleno que só precisam de alívio nas horas mais duras do verão. Serve a hortas, roseiras e frutíferas jovens em região de sol muito forte. Abaixo disso, o efeito é quase decorativo.
50%. É o valor coringa e o mais vendido, e com razão. Atende a maioria das ornamentais de meia sombra, mudas em formação, samambaias em local claro e a maior parte das hortaliças de folha. Quando existe dúvida real sobre o que usar, 50% erra menos.

70% a 80%. Sombreamento pesado, para plantas de sub-bosque e para quem cultiva em telhado ou área sem nenhuma proteção natural. É a faixa das orquídeas de sombra, das bromélias, das folhagens de interior que passam uma temporada fora e das samambaias mais delicadas, como a avenca. O guia de como cuidar da orquídea trata do quanto essa família depende de luz filtrada.
90%. Raro em jardim doméstico. Bloqueia luz demais para quase tudo que a gente cultiva por prazer, e costuma aparecer em uso não vegetal, como fechamento de área ou proteção de obra.
Um aviso que economiza dinheiro: sombrite não conserta escolha de planta. Suculenta debaixo de tela de 80% estiola do mesmo jeito, só que mais devagar. A régua de qual planta vai onde continua sendo a do guia de como cuidar de plantas.
O erro do sombrite encostado na planta
A tela precisa de vão. Instalada rente à folhagem, ela devolve calor por contato, atrita com a planta no vento e cria um microclima abafado que favorece fungo, o mesmo mecanismo descrito no guia de fungos nas plantas.

O caso típico acontece em varanda pequena: a pessoa prende a tela direto na grade, coloca os vasos encostados, e um mês depois as folhas que tocavam o sombrite estão manchadas. Afastar os vasos uns vinte centímetros da tela resolve, e deixar o ar circular pelas laterais resolve o resto.
Cor da tela, e o que muda
A preta é a mais comum e a que mais absorve calor, aquecendo o ambiente logo abaixo dela. A branca ou prateada reflete mais e esquenta menos, o que ajuda em cobertura de laje sob sol de tarde. As coloridas, vendidas como fotoconversoras, mudam a qualidade espectral da luz que passa, e há uso agrícola sério para isso, mas para o jardim de casa a diferença raramente justifica o preço.
Se a escolha for entre preta e branca no telhado quente, a branca costuma entregar mais conforto térmico.
Como instalar sem perder a tela na primeira ventania
Sombrite rasga na borda, quase sempre no ponto onde foi amarrado. A borda reforçada, quando o produto tem, é o lugar de furar. Quando não tem, vale reforçar com uma fita ou uma corda passada ao longo da lateral, distribuindo a tração em vez de concentrar num furo só.
Estique bem. Tela frouxa bate no vento, e a batida repetida é o que rasga. Fixação a cada 30 ou 40 centímetros, com abraçadeira plástica ou arame revestido, mantém a superfície firme.
Pense na inclinação também. Uma tela plana acumula folha, galho e água de chuva, e o peso vence a amarração. Uma leve caída resolve o acúmulo sozinha.
Quando tirar
A necessidade de sombra muda com a estação, e a tela que salvou a planta no verão pode limitá-la no inverno, quando o sol já vem fraco e baixo. Em regiões de inverno ameno, muita gente mantém o ano todo sem prejuízo. Em regiões de inverno frio e nublado, vale retirar ou trocar por uma porcentagem menor no período mais escuro do ano.
O sinal de que passou da hora aparece na planta: folha nova maior e mais fina que as antigas, caule esticado, floração que não vem. É a mesma leitura de falta de luz que vale para vaso dentro de casa.
O que olhar na hora de comprar
Além da porcentagem, três informações mudam a durabilidade da tela, e nem sempre estão à vista.
Proteção contra raio ultravioleta. É o item que decide se a tela dura anos ou esfarela em uma temporada. Sem UV declarado, o material fica quebradiço, esgarça na borda e rasga ao primeiro vento forte. Tela sem essa indicação é para uso temporário, e não para cobrir um canteiro permanente.
Gramatura, em gramas por metro quadrado. Quanto maior, mais fio e mais resistência. Duas telas de mesma porcentagem podem ter gramaturas bem diferentes, e a mais leve é a que se rasga primeiro.
Tipo de fio. A malha de monofilamento, feita de fios redondos entrelaçados, é mais durável e não desfia quando corta. A de ráfia, feita de fitas planas, é mais barata e tende a desfiar na borda cortada — se for essa, faça bainha ou passe fita nas bordas.
Sobre metragem, o cálculo é simples desde que se lembre de duas coisas: o rolo tem largura fixa, geralmente de dois a quatro metros, e você precisa somar uma folga de vinte a trinta centímetros por lado para amarrar. Duas telas se emendam com costura em zigue-zague, arame revestido ou abraçadeiras a cada palmo, com sobreposição de um palmo.
Na estrutura, o vão entre apoios é o que segura tudo. Postes a cada três metros funcionam para cobertura pequena; acima disso, um cabo de aço esticado entre os postes, com a tela presa nele, evita a barriga que acumula água e folha. E a altura precisa deixar passar quem cuida do canteiro: dois metros no ponto mais baixo é o mínimo confortável.
Sombrite não é a única tela, e as outras servem para outra coisa
Na loja, quatro telas parecidas dividem prateleira, e trocar uma pela outra é um erro caro.
O sombrite, que é o assunto desta página, reduz radiação e é medido em porcentagem de sombra.
A tela antiafídica, ou anti-inseto, tem malha muito mais fechada e é medida em número de fios: ela existe para barrar pulgão, mosca-branca e tripes, e quase não sombreia. Como fecha a passagem de ar, esquenta o ambiente por baixo, e é feita para estufa com ventilação planejada — não para pendurar sobre um canteiro no sol.
A tela antigranizo é de malha aberta e alta resistência, pensada para receber impacto sem rasgar. Sombreia pouco de propósito.
E a tela de proteção de piscina, aquela mais rígida e de malha quadrada, é feita para suportar peso de pessoa. Serve como estrutura, não como sombreamento, e o material não tem a mesma resposta ao sol constante.
Há ainda o filme difusor, que é plástico transparente e espalha a luz sem bloquear muito — usado em estufa, e sem relação com sombreamento.
Duas situações em que o sombrite não é a resposta certa: dentro de casa, onde a luz já é pouca e o que falta é claridade, não sombra; e em região de inverno nublado e curto, onde manter a tela o ano todo produz o estiolamento que a própria página descreve. Nesses casos, a solução é mudar a planta de lugar ou trocar de espécie, e não filtrar mais.
Perguntas frequentes
Sombrite protege de chuva ou de granizo?
De chuva, não: a malha é aberta e a água passa. Contra granizo leve, a tela amortece parte do impacto, sobretudo nas porcentagens maiores, mas ela não foi feita para isso e pode ceder num evento forte.
Dá para usar sombrite como cerca ou fechamento?
Dá, e é uso comum em porcentagens altas, para vedar visão em obra ou em quintal. Só lembre que ela bloqueia luz na mesma proporção, então uma tela de 80% usada como fechamento lateral vai sombrear o que estiver do lado de dentro.
Quanto tempo dura?
Depende muito da exposição e da qualidade do fio. Telas com proteção ultravioleta duram bem mais sob sol direto; sem essa proteção, a malha resseca e começa a esfarelar em pouco tempo. O sinal de fim de vida é a fibra que se rompe entre os dedos com pouca força.
Posso sobrepor duas telas para aumentar a sombra?
Pode, e o efeito se acumula, mas não se soma de forma simples: duas telas de 50% não dão 100%, dão algo em torno de 75%. Para sombra pesada, sai melhor comprar a porcentagem certa de uma vez.
O Guia das Plantas é um projeto editorial sobre cultivo de plantas ornamentais em casa, escrito para quem cultiva em apartamento, varanda ou quintal. Os guias partem de literatura de jardinagem e de fontes técnicas, e cada texto diz de onde vem o que afirma: quando a evidência é fraca, está escrito que é fraca. Não damos orientação veterinária nem médica — em caso de ingestão de planta por animal, procure um veterinário; por pessoa, um médico ou o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001.






