Bambu mossô: rizoma, porte e onde ele não cabe

Bambu mossô: rizoma, porte e onde ele não cabe

O bambu mossô é o bambu de colmo grosso e reto que aparece em foto de floresta de bambu e em projeto de paisagismo de grande escala. É também o bambu que menos cabe em quintal de casa, por um motivo que quase nunca está na etiqueta do viveiro: o rizoma dele não fica parado. A distinção entre bambu que forma touceira contida e bambu que corre por baixo do solo é a informação que decide se a planta cabe no terreno, e ela vem antes da compra.

Rizoma entouceirante e rizoma alastrante

Bambus se dividem em dois comportamentos subterrâneos, e a diferença é estrutural.

Bambuzal de mossô com colmos altos e retos, espaçados uns dos outros sobre solo limpo
Repare que os colmos nascem espalhados, e não em touceira fechada: é o rizoma alastrante caminhando por baixo do solo e emitindo colmo onde chega.

O bambu entouceirante tem rizoma curto e grosso, do tipo paquimorfo. Cada rizoma novo nasce colado ao anterior e sobe logo em seguida virando colmo. O resultado é uma touceira compacta que se alarga aos poucos pela borda e continua sendo um objeto único no jardim.

O bambu alastrante tem rizoma longo e fino, do tipo leptomorfo. Ele viaja horizontalmente sob o solo, a alguma profundidade, e emite colmos novos ao longo do percurso, longe da planta original. Não existe touceira, existe colônia se expandindo.

O mossô pertence a esse segundo grupo. Quem compra esperando uma moita bem-comportada leva outra coisa: um sistema subterrâneo que atravessa canteiro, passa por baixo de muro, aparece no gramado e chega ao quintal do vizinho.

Vale também separar os nomes populares. O que se vende como bambu-da-sorte não é bambu, e o cuidado é completamente diferente, como mostra o post de bambu da sorte. Já o cultivo dos bambus ornamentais em geral, com as diferenças entre espécies de jardim, está em como cuidar da planta bambu.

Onde ele não cabe

O porte adulto é o segundo fator. Os colmos do mossô sobem bem acima da linha de telhado de um sobrado, com diâmetro que já não se corta com tesoura de jardim, e a massa de folhagem no alto é considerável.

Lugares em que a espécie não deve entrar:

  • Quintal urbano de qualquer tamanho comum. Não existe folga suficiente entre a planta e a divisa.
  • Junto de muro de divisa. O rizoma passa por baixo e emerge do outro lado, e a responsabilidade pelo estrago é de quem plantou.
  • Perto de calçada, piso, piscina e caixa de inspeção. O rizoma segue por baixo de piso assentado e levanta placa e contrapiso.
  • Sob rede elétrica ou encostado em edificação. Colmo alto que tomba não tomba pequeno.
  • Vaso, como solução definitiva para esta espécie em particular.

O último item pede ressalva. O post de cultivo dos bambus ornamentais, citado acima, apresenta o vaso como a contenção que elimina o risco do rizoma, e com razão: o recipiente doma as espécies de porte médio e pequeno, inclusive as alastrantes, e resolve o caso de quem quer bambu em varanda. O mossô é a exceção, e a exceção é de porte: contido em vaso, ele não chega ao colmo grosso e alto que motiva a escolha da espécie, e o resultado é um exemplar sofrido.

Quem quer massa vertical em terreno pequeno está diante do mesmo tipo de decisão descrita no post de palmeira imperial: planta de escala grande não se adapta a espaço pequeno, ela só passa a incomodar mais devagar.

Barreira de rizoma: o que ela exige de verdade

Contenção de bambu alastrante existe e funciona, desde que seja feita como obra e não como improviso.

A barreira é uma lâmina rígida e contínua, enterrada em vala ao redor de toda a área destinada ao bambu, sem emenda aberta e sem trecho faltando. Um único ponto sem barreira anula o resto.

A borda superior fica saliente acima do nível do solo. Rizoma que encontra obstáculo tende a subir e passar por cima, e é essa borda exposta que permite cortar o que tentou escapar.

A barreira exige inspeção periódica: percorrer o perímetro, procurar rizoma emergindo na borda e cortar o que aparecer, protegido por luva de jardinagem resistente, porque bainha e ponta de rizoma cortam a pele.

Sem barreira, a alternativa é a vala de inspeção: uma valeta aberta ao redor do talhão, revolvida com regularidade, em que qualquer rizoma que cruze fica visível e é seccionado. É o que se usa em área rural.

O que cai: folha, bainha e colmo

Folha de bambu cai o ano inteiro, em maior quantidade em determinadas épocas. É folha pequena e em grande volume, e o destino dela é a calha, o ralo do quintal, o filtro da piscina e o vão da telha. Calha entupida transborda para dentro da parede, e esse dano aparece meses depois.

Cada colmo novo emerge do solo já com o diâmetro definitivo, envolto em bainhas que se soltam conforme ele alonga. Essas bainhas caem em quantidade e formam uma camada seca no chão, escorregadia em piso liso.

Colmo velho seca em pé. Colmo seco de espessura grande, tombando de altura de sobrado, cai com o peso de uma peça de madeira maciça. Remoção de colmo alto e grosso é trabalho com equipamento e planejamento de queda, do mesmo tipo discutido em poda de árvore.

Se ainda assim for plantar

O plantio se justifica em área ampla, em propriedade rural ou em projeto que use o bambu como cultura, não como enfeite de canteiro.

Sol pleno e solo profundo, fértil e drenado. Terreno raso ou compactado limita o desenvolvimento e produz colmos finos.

Água constante no período de estabelecimento. Bambu instalado sofre pouco com seca, mas a fase inicial é exigente.

Manejo anual, e é ele que separa um bambuzal de um matagal: retirar os colmos velhos e secos, abrir o interior do talhão para a luz chegar ao chão e eliminar os brotos fora da área permitida, cortando rente assim que emergem.

Alternativas para privacidade em terreno pequeno

Quando a intenção é fechar visão de vizinho, o bambu de grande porte é a ferramenta errada.

Duas opções a seguir pedem atenção com criança e animal. A semente do podocarpo não deve ser ingerida, e a estrutura carnosa e colorida que a acompanha chama atenção de criança pela cor. O fruto da clusia também não deve ser ingerido, e o látex dela irrita pele sensível. Em caso de ingestão por animal, o encaminhamento é o veterinário; por pessoa, o Disque-Intoxicação 0800 722 6001 orienta gratuitamente.

Uma cerca viva montada com espécie de porte controlável entrega a mesma barreira e permanece dentro da divisa. Para renque alto e denso de folha miúda, o podocarpo é a opção padrão, com crescimento lento e forma estável. Para fechamento mais rápido, com folhagem larga, a clusia resolve, ao custo de poda mais frequente.

Perguntas frequentes

Esse bambu forma touceira ou espalha?
Espalha. O rizoma é do tipo longo e horizontal, que emite colmos ao longo do percurso, longe da planta original. Touceira compacta é comportamento dos bambus de rizoma curto, que são outros.

Dá para segurar o avanço com barreira?
Dá, com lâmina rígida contínua enterrada em todo o perímetro, com a borda saliente acima do solo e inspeção periódica. Trecho faltando anula a barreira inteira.

Pode plantar em vaso grande?
O vaso contém o rizoma e resolve o caso dos bambus ornamentais de porte médio, que é o uso indicado no post geral de cultivo. Para o mossô não serve: a planta fica limitada, com colmos finos, e perde justamente o porte que motiva o plantio.

O que fazer quando brotos aparecem no quintal do vizinho?
Cortar rente assim que emergem, dos dois lados, e resolver a origem com barreira ou com a retirada do talhão. Broto recém-emergido cede fácil; colmo formado já exige serra e o problema volta na estação seguinte.

A folhagem dá muito trabalho?
Cai o ano todo, em volume grande e em folha pequena. Calha, ralo e filtro de piscina próximos ao bambuzal precisam de limpeza frequente.

Deixe um comentário