A escolha de um banco de jardim se resolve pela exposição, não pela foto do catálogo. Peça que fica sob chuva e sol o ano inteiro envelhece de um jeito; peça abrigada sob cobertura envelhece de outro, e o mesmo modelo pode durar bem em um lugar e apodrecer no outro. Madeira, concreto, metal e plástico falham por motivos diferentes, e saber por qual motivo cada um falha é o que define a compra.
Antes do material, o lugar
O primeiro exercício é olhar para o ponto onde a peça vai ficar e listar o que acontece ali.
Sol direto o dia todo. Degrada plástico por radiação ultravioleta, desbota pintura, resseca madeira e transforma metal e concreto em superfície quente demais para sentar à tarde.
Chuva e água empoçada. O problema raramente é a chuva que cai, e sim a água que fica. Pé de banco parado sobre solo encharcado apodrece, enferruja e mancha, mesmo em peça de bom material.
Debaixo de árvore. Cai folha, flor, fruto, resina e excremento de ave. Superfície porosa mancha permanentemente com alguns desses, e a sombra permanente favorece limo e musgo. A escolha da espécie que dá essa sombra aparece em árvore de sombra.
Beira de mar. Maresia corrói metal comum com velocidade alta, incluindo parafuso e ferragem escondida de peças de madeira.
Sobre grama. A grama morre embaixo da peça fixa, e cortar em volta vira trabalho manual toda semana.
O lugar também define o uso. Assento voltado para uma vista, para o poente ou para o ponto de água tem função diferente de assento posto encostado no muro por falta de lugar melhor. O encaixe no conjunto fica mais fácil quando o desenho geral vem antes, como descrito em projeto de jardim.
Madeira
Entrega o resultado visual que a maioria procura e é o material que mais depende de manutenção.

Madeira de lei densa resiste melhor à umidade e ao inseto, e a compra exige comprovação de origem legal, com documentação de procedência. Pinus e eucalipto tratados em autoclave são a alternativa de custo menor, e o tratamento precisa ser industrial, feito por impregnação sob pressão, e não uma demão de produto aplicada depois.
O ponto de falha é sempre o contato com o chão. Pé de madeira apoiado direto no solo úmido absorve água por capilaridade e apodrece de dentro para fora, e o dano aparece quando a peça já está comprometida. Sapata de metal, base de pedra ou piso drenante debaixo dos pés resolvem boa parte do problema, e materiais como seixo rolado espalhados sob a peça mantêm a área drenada e sem grama.
Manutenção significa reaplicação periódica de óleo, stain ou verniz próprio para exterior, feita quando a superfície começa a absorver água em vez de repelir, sem esperar a madeira ficar acinzentada e fissurada. Antes de reaplicar, lixamento leve e superfície completamente seca. Fissura na direção da fibra é comportamento normal da madeira ao ar livre; fissura profunda com madeira mole ao toque é apodrecimento.
Concreto
Não apodrece, não enferruja, não interessa a cupim e não sai do lugar em ventania. Para banco que fica em um ponto definitivo, é o material de menor exigência.
As contrapartidas são reais. Peso alto, que torna qualquer mudança de posição um serviço. Superfície porosa que mancha com folha, fruto e ferrugem de objeto apoiado, e que cria limo em área sombreada e úmida. Temperatura desconfortável ao sol e no frio. Base que precisa estar nivelada e firme, porque recalque do terreno trinca a peça.
Limpeza com escova e água resolve o uso normal, e produto ácido de limpeza pesada ataca o concreto e escorre para o solo em volta. Selante próprio reduz a absorção de mancha e precisa de reaplicação.
Metal
Ferro fundido e aço dão peças de estrutura firme e desenho detalhado. A questão é sempre a corrosão.
Aço galvanizado a fogo e depois pintado é o arranjo mais resistente. Peça apenas pintada começa a corroer nos pontos onde o revestimento é interrompido: corte, solda, furo de parafuso e pé em contato com o chão. Quando a ferrugem aparece, a recuperação exige remoção mecânica do óxido, aplicação de fundo anticorrosivo e repintura, e pintar por cima da ferrugem só adia o mesmo trabalho.
Alumínio não enferruja e é leve, o que traz o efeito colateral de a peça se deslocar com vento forte. Aço inoxidável resiste bem, inclusive em ambiente salino, dependendo da liga.
Metal esquenta ao sol de forma que impede o uso em boa parte do dia, o que faz do material uma escolha melhor para sombra do que para área aberta. Sombra artificial resolve, e o assunto está em pergolado.
Plástico e compósitos
Polipropileno e resinas injetadas são leves, não enferrujam e custam menos. A degradação por radiação ultravioleta é o limite: a peça desbota, perde flexibilidade e passa a quebrar em pontos de esforço. Produto com aditivo estabilizante para ultravioleta resiste melhor, e a informação deve estar na descrição do fabricante.
Leveza também é problema em quintal ventoso, porque a peça vira e arrasta.
Compósitos de madeira plástica, feitos com fibra de madeira e polímero, não apodrecem nem recebem cupim e dispensam verniz. Desbotam com o sol e costumam ser mais pesados que o plástico puro, com estrutura metálica interna em muitos modelos.
O que fica embaixo e em volta
Assento fixo sobre grama cria dois problemas de uma vez: a grama morre pela falta de luz e a roçada em volta passa a ser manual. Uma base de piso, brita ou pedra elimina os dois, mantém os pés fora do barro e reduz o respingo de terra na peça durante a chuva. Acabamentos que funcionam nesse papel aparecem em pedra são tomé.
Ponto de descanso usado à noite precisa de luz própria, com peças adequadas a área externa, conforme iluminação de jardim.
Assento voltado para um ponto de água tem uso muito maior que assento sem direção definida, e o ruído da água é parte do motivo, como descrito em fonte de água para jardim. Estrutura vegetada por cima produz sombra na hora certa do dia, e as diferenças entre as armações estão em caramanchão.
Rotina de manutenção
Limpeza de folha acumulada nas frestas, que é onde a umidade fica retida. Verificação de parafuso e junta, com reaperto assim que a peça começar a balançar ou ranger, já que dilatação e vibração afrouxam a fixação.
Inspeção dos pés, sempre. É o ponto que apodrece, enferruja e trinca primeiro, e é o único que ninguém olha.
Almofada e tecido guardados sob cobertura fora do uso, porque tecido molhado que seca sobre a peça mancha a superfície e retém umidade contra ela. Capa plástica ajustada demais, ao contrário do que parece, cria condensação e piora o quadro em madeira.
Perguntas frequentes
Qual material aguenta melhor sol e chuva?
Concreto e aço galvanizado pintado são os que menos exigem intervenção ao ar livre. Madeira entrega o melhor resultado visual com o maior compromisso de manutenção, e plástico comum é o que mais sofre com radiação solar.
Precisa passar verniz todos os anos?
O intervalo depende da exposição e do produto, não do calendário. O critério prático é observar se a água ainda escorre em gotas sobre a superfície, e reaplicar quando ela passa a ser absorvida.
Como evitar que a grama morra embaixo?
Substituindo a grama daquele trecho por base drenada de brita, pedra ou piso. A sombra permanente e o pisoteio inviabilizam gramado sob assento fixo.
Metal enferruja mesmo pintado?
Enferruja quando a pintura é a única proteção, começando por cortes, soldas, furos e pelo pé apoiado no chão. Galvanização sob a pintura muda o comportamento.
Vale a pena madeira em quintal litorâneo?
Vale, com atenção às ferragens: parafuso e articulação comuns corroem antes da madeira em ambiente salino, e a peça se desmonta com a estrutura ainda íntegra.
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