Como plantar cravina e ter canteiro florido no frio

Como plantar cravina e ter canteiro florido no frio

Enquanto boa parte do jardim desacelera no inverno, a cravina faz o contrário: é justamente no tempo ameno que ela abre suas flores franjadas em vermelho, rosa, branco e nos bicolores de miolo escuro. É uma flor barata, de ciclo curto e de resultado rápido, e por isso mesmo costuma ser subestimada. Este guia trata da semeadura, do canteiro e do corte que estende a floração por meses.

O que é, e o que ela não é

A cravina é a Dianthus chinensis, prima pequena do cravo de floricultura. Forma touceiras baixas, entre 20 e 40 centímetros, com folhas estreitas azuladas e flores de pétalas recortadas nas pontas, como se tivessem sido cortadas com tesoura de picotar.

Canteiro de cravinas com touceiras baixas e flores de bordas serrilhadas
Touceiras baixas e flores de bordas serrilhadas, muitas com olho contrastante.

Ela não é o cravo de haste longa dos buquês, que é outra espécie, e não é o cravo-de-defunto, que é o tagete, de flor amarela e alaranjada e família completamente diferente. A confusão de nomes populares é a regra no Brasil.

O ciclo dela é curto. Comporta-se como anual ou bianual na maior parte do país, o que significa que o canteiro é replantado a cada temporada, e isso é característica, não defeito.

Clima e época: a parte que decide tudo

Cravina gosta de frio ameno. Ela floresce melhor no outono e no inverno na maior parte do Brasil, e no calor úmido do verão ela definha, adoece com facilidade e frequentemente morre.

A semeadura acontece no fim do verão e no outono, para florir do outono à primavera. Em regiões de inverno frio e seco, ela vai muito bem; em litoral quente e úmido, ela é uma flor de temporada curta.

Plantar cravina em dezembro, no auge do calor, é o erro mais comum de quem se encanta com a muda no supermercado e não pergunta a época.

Sol pleno, sem negociação

Ela quer no mínimo seis horas de sol direto. Em meia sombra, a planta estica, produz mais folha que flor e fica suscetível a fungo. Não há truque de manejo que compense luz insuficiente aqui.

Solo e plantio

Solo leve, bem drenado e neutro a levemente alcalino. Esse último ponto é uma particularidade útil: a maioria das ornamentais aprecia solo levemente ácido, e a cravina é uma das que respondem bem a uma correção com calcário quando o solo é muito ácido, no critério do guia de para que serve o calcário.

O canteiro se prepara com matéria orgânica bem incorporada e boa drenagem, no procedimento do guia de como preparar a terra. Solo pesado que empoça é onde a cravina apodrece pelo colo.

O espaçamento fica em torno de 20 a 25 centímetros entre plantas, o suficiente para as touceiras se encostarem quando adultas sem se abafarem.

Em vaso e em jardineira ela vai muito bem, com a montagem do guia de como plantar em vasos, e é boa companheira de amor-perfeito e de outras flores de estação fria.

Semeadura

A semente é pequena e germina com facilidade. Semeie em bandeja com substrato leve, cobrindo com uma camada fina, para a qual a vermiculita funciona bem, mantendo a umidade sem formar crosta.

A germinação costuma acontecer em cerca de uma a duas semanas em temperatura amena. Transplante para o local definitivo quando as mudinhas tiverem quatro folhas verdadeiras e altura suficiente para serem manuseadas sem quebrar.

O corte que faz a floração durar meses

Aqui está o que separa um canteiro que floresce quatro semanas de um que floresce quatro meses.

A cravina, como boa parte das flores de ciclo curto, tem um objetivo biológico: produzir semente. Assim que as flores se convertem em sementes, a planta entende que cumpriu o ciclo e desacelera a floração.

Retirar as flores murchas antes que formem semente engana esse mecanismo e mantém a planta emitindo botões novos. O corte é feito acima de um par de folhas, não apenas arrancando a pétala seca, para que o ponto rebrote com nova haste.

Dedos retirando flor murcha de cravina para prolongar a floração
Flor murcha retirada antes de formar semente: o truque que estica a floração.

Feito com regularidade, isso prolonga a floração de forma notável. É o mesmo princípio que vale para petúnias e para várias floríferas de canteiro, e é o cuidado que a maioria das pessoas não faz.

Rega e adubação

Rega regular, mantendo o solo úmido sem encharcar, e sempre no substrato, nunca sobre a folhagem e as flores. Flor molhada apodrece e mancha, e folhagem úmida à noite convida fungo, no princípio do guia de fungos nas plantas.

O horário preferido é o da manhã, que deixa a folhagem seca antes da noite.

Adubação leve e frequente sustenta a floração longa, com formulações que não exagerem no nitrogênio, na régua do guia de como adubar as plantas. Muito nitrogênio produz touceira verde e frouxa, com poucas flores.

Problemas comuns

Planta murcha com solo úmido. Podridão de colo por excesso de água ou solo pesado. É o fim mais comum da cravina em canteiro mal drenado.

Manchas nas folhas e queda. Fungos favorecidos por folhagem molhada e adensamento. Espaçamento e rega no pé resolvem a maior parte.

Poucas flores e planta esticada. Sombra ou excesso de adubo nitrogenado.

Pulgões nos botões. Clássico das floríferas, com o protocolo do guia de como acabar com pulgão.

A cravina resolve o inverno do canteiro, que é a estação em que a maioria das floríferas para. Encaixá-la num calendário que floresça o ano inteiro é o assunto do guia de flores de jardim.

Qual cravina você está comprando

O balcão vende como cravina plantas de três espécies próximas, e a diferença aparece no porte e na duração.

A Dianthus chinensis é a deste guia: touceira baixa, floração farta e comportamento de anual de estação fria. É a que domina o mercado de mudas de canteiro e a de ciclo mais curto.

A Dianthus barbatus, o cravo-de-maria ou barba-de-são-josé, forma buquês densos de flores pequenas no topo de hastes mais altas, chega a cinquenta centímetros e é bianual por natureza: no primeiro ano ela só faz folhagem, no segundo floresce. Quem compra esperando flor na mesma temporada se frustra.

A Dianthus caryophyllus é o cravo de floricultura, de haste longa e flor grande, e exige mais cuidado e mais espaço que as anteriores. Não é planta de bordadura.

Dentro da chinensis ainda há as séries anãs, de quinze a vinte centímetros, feitas para jardineira e para bordadura muito baixa, e as de porte médio, para o meio do canteiro. A etiqueta do produtor costuma trazer a altura final, e é a informação que decide onde a planta vai.

O canteiro de inverno inteiro

A cravina rende mais acompanhada, porque o que ela resolve — cor no tempo frio — é um problema que várias outras espécies resolvem junto, em alturas e formatos diferentes.

Na frente, rente à borda, vão as plantas de porte muito baixo e floração contínua, que fecham a linha do canteiro. No meio entra a cravina, no papel de massa de cor. Ao fundo vão as espécies de haste alta que dão altura e ritmo ao conjunto.

A regra de composição que mais evita arrependimento é a de agrupar em manchas, e não alternar planta a planta. Três a cinco cravinas da mesma cor juntas produzem um bloco que se vê da varanda; uma cravina alternada com uma calêndula e um amor-perfeito produz um mosaico que some a dois metros de distância.

E vale escolher as cores antes de comprar as mudas. Cravina existe em vermelho, rosa, branco e em bicolores de miolo escuro, e a bandeja variada do supermercado costuma produzir um canteiro sem decisão nenhuma.

Quando a temporada acaba

Em algum momento do calor a cravina para de florir, estica, adoece e encerra o ciclo. Saber o que fazer nessa hora evita tanto a frustração quanto o canteiro vazio.

A planta sai inteira, com raiz. Deixá-la definhando no canteiro só serve para hospedar fungo que vai atacar o que entrar depois. O material doente não vai para a composteira caseira, que raramente atinge a temperatura necessária para eliminar patógeno.

O canteiro descansa e se recompõe: retirar os restos, afofar, incorporar matéria orgânica e deixar alguns dias antes de plantar a espécie de calor que entra no lugar. Esse intervalo curto quebra o ciclo de doenças que ficaram no solo.

Quem semeia em vez de comprar muda ganha aqui: a semeadura da temporada seguinte se faz no fim do verão, em bandeja, enquanto o canteiro ainda está ocupado pela cultura de calor. As mudinhas ficam prontas exatamente quando o espaço abre.

Perguntas frequentes

Cravina é perene?
Na prática brasileira, não. Ela costuma ser tratada como anual de estação fria, e mesmo quando sobrevive ao verão volta enfraquecida e menos florífera na temporada seguinte.

Ela tem perfume?
Algumas variedades têm um aroma leve e adocicado, com nota de cravo, e outras praticamente não têm. Se o perfume for importante, vale escolher a variedade sabendo disso.

Serve para vaso pequeno em varanda?
Serve bem, desde que a varanda tenha sol direto suficiente. Em jardineira ela forma uma faixa florida bonita e de baixa manutenção.

Posso guardar as sementes?
Pode, deixando algumas flores completarem o ciclo no fim da temporada. Vale saber que variedades híbridas não repetem fielmente as características da planta mãe.

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