Ela parece uma palmeira em miniatura, tem folhas rígidas dispostas em roseta perfeita e um tronco que engrossa devagar ao longo de décadas. A cica é uma das plantas ornamentais mais elegantes e mais longevas que se pode ter num vaso, e é também uma das mais perigosas para animais domésticos. Este guia começa por esse aviso e depois trata do cultivo.
O aviso, que vem primeiro
A cica é gravemente tóxica para cães e gatos. Todas as partes da planta contêm compostos nocivos, e as sementes concentram a maior quantidade.
O que torna o caso especialmente sério são dois fatos combinados. O primeiro é que a intoxicação atinge o fígado, e o quadro pode evoluir para insuficiência hepática. O segundo é que a quantidade necessária é pequena: relatos veterinários envolvem a ingestão de poucas sementes ou de pedaços de folha.
A régua prática: em casa com cão que rói plantas, a cica não entra, ou fica em local absolutamente inacessível, o que na prática é difícil de garantir com uma planta de vaso no chão. Sementes caídas devem ser recolhidas.
Havendo qualquer suspeita de ingestão, a conduta é veterinário imediatamente, sem esperar sintoma aparecer. É a mesma orientação do alerta sobre gatos e lírios do guia de como plantar lírios, e do alerta da torta de mamona: risco alto, janela curta de atendimento.
Para casas sem animais que mastigam plantas e sem crianças pequenas, o cultivo segue normalmente, com bom senso no manuseio.
O que ela é, e não é
A cica é a Cycas revoluta, e apesar do apelido de palmeira-sagu ela não é palmeira. Ela pertence às cicadáceas, um grupo de plantas muito antigo, anterior às plantas com flores, o que faz dela uma espécie de fóssil vivo do jardim.
O que parece um tronco é um caule robusto que cresce poucos centímetros por ano. As folhas, rígidas e brilhantes, saem em ciclos: a planta emite uma coroa inteira de folhas novas de uma vez, geralmente uma vez por ano, e depois passa meses sem nenhuma alteração visível.

Essa lentidão explica o preço de exemplares grandes e explica também por que ela é tão usada em vaso: um exemplar bem cuidado permanece na mesma proporção por muitos anos.
Luz
Sol pleno a meia sombra clara. Em sol pleno ela fica compacta, com folhas curtas e rígidas, que é o aspecto mais valorizado. Em sombra, as folhas se alongam, ficam mais moles e a roseta perde a simetria.
Em interior, ela só funciona junto de janela bem iluminada, e mesmo assim tende a produzir folhas mais frouxas a cada ciclo.
Solo, vaso e a rega que a mata
Drenagem é o requisito absoluto. A cica armazena reservas no caule e não tolera solo encharcado, e o apodrecimento da base é a causa de morte mais comum em cultivo doméstico.
O substrato precisa ser drenante, com boa proporção de material mineral, na lógica do guia de o que é substrato para planta, e o vaso precisa de furo generoso, com a montagem do guia de como plantar em vasos.
A rega é espaçada: molhe bem e deixe o substrato secar boa parte antes de regar de novo. No frio, reduza bastante.
O quadro que se repete com quem ganha uma cica de presente: a pessoa trata a planta como uma palmeira de interior, rega toda semana por hábito, e um ano depois percebe que o caule está mole perto da base. A folhagem rígida engana, porque ela demora a demonstrar sofrimento, e quando demonstra o dano já está feito.
Adubação
Pouca e espaçada, na estação de crescimento, com formulação equilibrada, no critério do guia de como adubar as plantas. Ela é uma planta de crescimento lento e não aproveita adubação abundante; o excesso queima raiz e não acelera nada.
A folhagem e a poda
A cica só deve ser podada para retirar folhas velhas, amareladas ou danificadas, cortadas rente ao caule com ferramenta limpa e afiada, no cuidado do guia de tesoura de poda. Use luva: as pontas das folhas são rígidas e espetam com facilidade.
Não corte folhas verdes e saudáveis. Como ela emite poucas folhas por ano, cada uma é um ativo de longo prazo, e a planta desfolhada demora muito para se recompor.
Quando a coroa nova está brotando, as folhas surgem tenras e enroladas, como báculos, e nesse período elas são frágeis e não devem ser tocadas.
Propagação
Pela emissão de brotos laterais na base do caule, os filhotes. Eles podem ser destacados com uma faca limpa quando atingirem tamanho razoável, deixados secar por alguns dias para cicatrizar o corte e então plantados em substrato drenante, sem exagero de água. O enraizamento é lento, na medida do resto da planta.
Os princípios gerais estão no guia de como fazer muda de planta, com a ressalva de que aqui a paciência é maior.
Problemas comuns
Folhas amarelando de forma generalizada. Quase sempre excesso de água ou drenagem insuficiente. Confira o caule na base.
Cochonilha branca nas folhas e no caule. A cica é bastante suscetível, e o protocolo está no guia de cochonilha nas plantas. Em roseta densa, a inspeção precisa ser feita folha a folha.
Pontas queimadas. Sol muito forte em planta que estava na sombra, ou sais acumulados no substrato por excesso de adubo.
Folhas novas frouxas e alongadas. Luz insuficiente durante a emissão da coroa.
Nada acontece por meses. Comportamento normal da espécie. Ela emite folhas em ciclos.
Perguntas frequentes
Ela dá flor?
Não no sentido comum. Sendo uma cicadácea, ela produz estruturas reprodutivas distintas em plantas masculinas e femininas, e isso ocorre apenas em exemplares maduros, o que leva muitos anos.
Serve para vaso pequeno?
Serve, e é justamente por isso que ela é popular. O crescimento lento mantém a proporção por muito tempo, e a troca de vaso acontece a cada vários anos.
Aguenta frio?
Tolera bem clima ameno e suporta friagem melhor que a maioria das plantas de aparência tropical. Geada intensa danifica a folhagem.
Posso ter cica tendo gato?
A recomendação prudente é a mesma que vale para cães: a toxicidade é séria também para gatos, e o risco não compensa. Havendo animal em casa, escolha outra planta e consulte o veterinário sobre a lista de espécies seguras.
O Guia das Plantas é um projeto editorial sobre cultivo de plantas ornamentais em casa, escrito para quem cultiva em apartamento, varanda ou quintal. Os guias partem de literatura de jardinagem e de fontes técnicas, e cada texto diz de onde vem o que afirma: quando a evidência é fraca, está escrito que é fraca. Não damos orientação veterinária nem médica — em caso de ingestão de planta por animal, procure um veterinário; por pessoa, um médico ou o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001.






